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Empresas de app no setor delivery do Brasil levam mais de 2 milhões de entregadores para a informalidade e sem direitos trabalhistas nenhum, diz estudo do IBGE

O avanço da tecnologia transformou o mercado de trabalho brasileiro, mas consolidou um cenário de precarização para quem depende de plataformas digitais para sobreviver.

Atualmente, cerca de 2 milhões de pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, vivem a cruel realidade do trabalho por aplicativos no país, enfrentando uma rotina marcada pela precarização.

De acordo com os dados mais recentes divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do IBGE, esse contingente expressivo de entregadores e prestadores de serviços gerais enfrenta longas jornadas na busca por sustento, muitas vezes impulsionado pela falta de alternativas no mercado tradicional.

As estatísticas oficiais do IBGE traduzem em números o desequilíbrio e os desafios enfrentados pela categoria. O levantamento aponta que a taxa de informalidade atinge impressionantes 72,1% dos trabalhadores por aplicativo, um índice drasticamente superior aos 42,7% registrados entre os demais profissionais do setor privado.

Além disso, a jornada semanal desses entregadores pode chegar a 70 horas, o que representa quase o dobro de trabalho por semana em comparação aos profissionais que não utilizam plataformas e são registrados em carteira pelo regime celetista.

Essa exaustiva carga horária dos entregadores de apps resulta em uma matemática injusta: mais horas trabalhadas, menos descanso, mais custo com manutenção do equipamento, menor remuneração, são resultados de uma prática exploratória das empresas de apps.

Para agravar mais ainda o quadro de vulnerabilidade social, apenas 34% desses trabalhadores contam com alguma cobertura previdenciária, segundo dados da pesquisa.

Diante desse panorama, o IBGE manifestou a opinião institucional sobre o tema ao ponderar os dois lados dessa transformação socioeconômica. Segundo a análise técnica do instituto, embora as plataformas digitais tenham o mérito de oferecer oportunidades imediatas de geração de renda para milhões de desempregados e de permitir que empresas alcancem novos mercados com custos reduzidos, elas cobram um preço social elevado para os trabalhadores que seguem sem opção, regulamentação ou melhora a curto ou médio prazo em relação a seus direitos trabalhistas.

O IBGE alerta que o modelo de negócios atual representa um importante e urgente desafio para a garantia de condições dignas de trabalho, evidenciando que a flexibilidade prometida pelos aplicativos caminha lado a lado com a ausência de direitos básicos e a desproteção social.

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